Segurança do paciente começa com uma medicina valorizada
Por Dr. Edmar Fernandes, médico e presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará

O Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro, nos convida a refletir sobre um princípio essencial da saúde: cuidar de uma pessoa também significa garantir que ela esteja protegida durante todo o percurso da assistência. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde escolheu como tema os cuidados seguros para doenças não transmissíveis, destacando a importância do acompanhamento contínuo de condições que exigem atenção prolongada.

A segurança do paciente não se resume à prevenção de erros. Ela depende de uma rede estruturada, de protocolos, comunicação adequada, diagnóstico seguro e, sobretudo, de profissionais preparados e amparados para exercer seu trabalho. Nesse contexto, valorizar o médico também é uma medida de segurança.

Não é possível dissociar a qualidade da assistência das condições oferecidas a quem está na linha de frente do cuidado. Jornadas excessivas, estruturas insuficientes, vínculos precarizados, pressão por produtividade e falta de recursos podem comprometer uma prática médica segura. Defender condições dignas de trabalho, portanto, não é apenas uma pauta da categoria, mas também uma forma de proteger o paciente.

Essa relação é ainda mais evidente no acompanhamento das doenças crônicas. Pacientes com diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e outras condições não transmissíveis passam por diferentes serviços e profissionais ao longo da vida. A continuidade do cuidado exige integração da rede, acesso adequado e uma relação de confiança entre médico e paciente.

Como entidade representativa dos médicos cearenses, o Sindicato dos Médicos do Ceará defende que a segurança do paciente caminhe lado a lado com a valorização da medicina. Isso significa garantir aos profissionais condições para ouvir, avaliar, diagnosticar e acompanhar seus pacientes com tempo, estrutura e responsabilidade.

Cuidar com segurança é uma responsabilidade compartilhada. Mas ela depende de um sistema que reconheça que não existe assistência de qualidade sem médicos respeitados e valorizados. Neste Dia Mundial da Segurança do Paciente, reafirmamos que defender a dignidade médica é também defender o direito de cada cearense a uma assistência segura, qualificada e humana.

Assine nossa newsletter

Fique atualizado sobre todas as notícias e oportunidades!