No dia 7 de abril, quando se celebra o Dia Mundial da Saúde, a reflexão que se impõe é direta: o acesso à saúde, garantido como direito universal pela Constituição Federal de 1988, tem sido efetivamente assegurado à população? A realidade observada em diferentes regiões do país, especialmente no Ceará, indica que ainda há um descompasso significativo entre o princípio legal e a prática cotidiana.
A sobrecarga das unidades de pronto atendimento, a escassez de profissionais em determinadas especialidades, a demora no acesso a consultas e exames e os recorrentes atrasos salariais enfrentados por médicos em diversos municípios configuram um cenário que vai além de episódios pontuais. Trata-se de um conjunto de fragilidades estruturais que impacta diretamente a capacidade de resposta do sistema de saúde pública.
Estudos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB) apontam o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos principais fatores limitantes para a efetividade do atendimento no Brasil. Análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indica que o país investe, proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), menos recursos em saúde pública do que outras nações com sistemas universais, o que se reflete na qualidade e na abrangência dos serviços prestados.
No Ceará, esse cenário se materializa em unidades operando acima da capacidade instalada, equipes profissionais sobrecarregadas e pacientes submetidos a longos tempos de espera, inclusive em situações de urgência. Em Fortaleza, relatos recorrentes de superlotação em unidades de pronto atendimento, atrasos remuneratórios e episódios de violência contra profissionais de saúde evidenciam a necessidade de respostas mais estruturadas e permanentes.
Garantir o direito à saúde implica em ampliar o acesso e também assegurar que o atendimento seja contínuo, resolutivo e realizado em condições adequadas. Isso exige planejamento, financiamento compatível com as demandas do sistema, valorização dos profissionais e maior transparência na gestão dos recursos públicos.