O Conselho Federal de Medicina (CFM), é uma autarquia federal de direito público criado pela Lei Nº 3.268/57, no Governo do Presidente Juscelino K. de Oliveira, que também era médico urologista, sendo parte do Estado Brasileiro e não um órgão corporativo da classe médica.
Possui autonomia administrativa e financeira, pois toda a receita da Instituição origina-se dos médicos brasileiros.
Tem como objetivo essencial de sua existência garantir boa assistência médica à população brasileira.
É dever da Entidade apresentar aos Governos, propostas às políticas de saúde públicas, não por corporativismo de classe, mas pelo dever legal do qual é investido.
O CFM defende o atendimento integral à saúde do paciente, que deve obrigatoriamente ser feito por equipe multiprofissional, sendo o médico o profissional de maior responsabilidade, por ser de sua competência estabelecer o diagnóstico e o tratamento dos pacientes.
É fundamentar, para que seja oferecida saúde de qualidade à população, que todos os profissionais componentes da equipe sejam bem formados.
Mas, infelizmente, a irresponsabilidade dos Governos brasileiros nas últimas décadas, comprometeu de forma desastrosa a formação do médico, ao implantar uma política de abertura indiscriminada de Escolas Médicas em todo o País.
Essa diretriz se acentuou com a presença de Ministros da Saúde, que utilizaram o argumento falacioso de que faltavam médicos no Brasil, que eles deveriam se fixar no interior e que, para isso, era necessário ampliar o número de médicos formados.
Nada mais falso, pois todos os estudos mostram que escolas médicas não fixam médicos em nenhum lugar do mundo.
Assim, Faculdades de Medicina foram e continuam sendo abertas em cidades sem a menor infraestrutura que permita oferecer ensino de qualidade, pois estes locais não possuem atenção básica estruturada, hospitais ou médicos preceptores para uma formação com qualidade.
Hoje, temos mais de 300 Escolas Médicas no Brasil, com cerca de 210 milhões de habitantes, perdendo apenas para Índia que possui 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, que compromete de modo irreparável, a qualidade de formação do médico brasileiro.
O que temos presenciado no Brasil em relação à abertura de escolas médicas, é algo sem precedentes no mundo.
Essa abertura indiscriminada de faculdades de medicina, atende apenas à vontade de políticos inescrupulosos e de empresários da educação, tomam forma de verdadeira tragédia para a assistência médica à população.
Estudos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), mostram que a vida profissional do médico no Brasil é de 44 anos.
Reflexão que causa desconforto, mas que não temos como omitir, é o fato de que é impossível ignorar que o ensino médico é um negócio milionário, e que infelizmente se tornou tema de barganha entre os membros do Congresso Nacional e o MEC, pois a abertura de Escolas Médicas traz benefícios políticos para o parlamentar, que conseguiu sua autorização.
É estarrecedor que 75% das novas vagas criadas estão na rede particular, com mensalidades médias de 7 mil reais, podendo chegar a 16 mil.
Atualmente, o País tem cerca de 500 mil médicos em atividade, no entanto, projeções mostram que em aproximadamente 40 anos o Brasil terá algo em torno de 1,5 milhão de médicos, número superior ao que existe, hoje, de técnicos de enfermagem.
Estes profissionais malformados entrarão no mercado de trabalho, principalmente nas áreas de atenção básica, urgência e emergência, prenunciando-se uma verdadeira catástrofe na assistência à saúde da população brasileira.
A irresponsabilidade dos Governos brasileiros, comprometeu a formação dos médicos nacionais, ao implantar uma abertura indiscriminada de Escolas Médicas no País.
A quem interessa tantas Escolas Médicas no momento?
Dr. Juarez Carvalho | CRM: 1053
Médico Ginecologista e Obstetra e ex-presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará