O Sindicato dos Médicos oficiou, na última segunda-feira (02), a direção da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) solicitando esclarecimentos acerca da grave alteração na escala de anestesiologia do Hospital Distrital Gonzaga Mota de Messejana.
Segundo relatos, após o fechamento da Maternidade César Cals, o Hospital Gonzaguinha de Messejana passou a absorver expressivo aumento da demanda assistencial, caracterizando-se atualmente por um cenário de alta complexidade.
Houve a ampliação do número de leitos devido ao aumento significativo do fluxo de pacientes, onde estão funcionando três salas cirúrgicas além da Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA), com a manutenção de três obstetras e três neonatologistas em regime de plantão 24 horas com a maternidade atuando como porta aberta para urgências obstétricas.
Mesmo diante da elevada demanda, complexidade assistencial e imprevisibilidade de emergências foi comunicada à equipe de anestesiologia a decisão de reduzir a escala noturna para apenas um anestesiologista por plantão, medida adotada pela gestão da SPDM.
A entidade ressalta que a decisão é extremamente preocupante e coloca em risco direto a segurança dos pacientes e dos profissionais, sobretudo diante da frequência de emergências obstétricas simultâneas, tais como: sofrimento fetal agudo; hemorragias obstétricas; cesáreas de urgência e demais intercorrências que exigem atuação anestésica imediata e ininterrupta.
“É tecnicamente, eticamente e normativamente inviável que um único anestesiologista seja responsável por mais de um procedimento ao mesmo tempo, sendo absolutamente vedada a realização de anestesias simultâneas, sob pena de grave violação aos princípios da boa prática médica e da segurança do paciente”, afirma Dr. Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos.
A entidade reforça ainda que a Nota Institucional da Sociedade de Anestesiologia do Estado do Ceará (SAEC) veda anestesias simultâneas e orienta expressamente quanto a questão de um anestesiologista por paciente, bem como à necessidade de dimensionamento de escala compatível com a demanda assistencial, especialmente em unidades com perfil obstétrico e cirúrgico ativo.
Destaca-se que a Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza já havia determinado a manutenção de dois anestesiologistas por plantão de 24 horas, de modo que a redução unilateral promovida pela SPDM não apenas afronta normas técnicas e éticas, como contraria orientação expressa da gestão municipal de saúde.
Diante do exposto, o Sindicato dos Médicos requer esclarecimentos formais e providências imediatas, com a recomposição da escala de anestesiologia em número compatível com a demanda real do serviço, a fim de resguardar a segurança dos pacientes, a integridade dos profissionais e a regularidade assistencial da unidade.
Foto: O Otimista/Reprodução
Fonte: Comunicação do Sindicato dos Médicos do Ceará