Cursos de Medicina privados já são o dobro dos públicos
Por Dr. Juarez Carvalho

Atualmente, o número de escolas públicas de Medicina, corresponde à metade do total das unidades particulares, que cobram anuidades altíssimas, para enriquecer os empresários do ensino e da educação neste País, em detrimento da saúde da população, colocando a vida dos brasileiros em risco constante.

Até a década de 1980, o número de faculdades públicas de medicina, era maior do que as de escolas privadas.

Em 2000, houve empate, com 52 instituições de cada lado.

A partir de então, houve um boom de escolas privadas, acelerado a partir de 2011.

Cinquenta escolas privadas foram abertas de 2001 a 2010 e 116 de 2011 a 2019, totalizando 210 escolas privadas criadas nas duas décadas, contra apenas 67 faculdades públicas.

Hoje o Brasil tem 121 escolas médicas públicas, que respondem por 26% das vagas, e 232 privadas, responsáveis por 74% das matrículas.

No total são oferecidas 37.423 vagas anuais, nos cursos de medicina.

Esse aumento exagerado de escolas médicas privadas, atende ao interesse de empresas que, buscando lucro, pressionam pela abertura de novos cursos e vagas.

Com mensalidades que vão até 12.758 reais, as faculdades de medicina privadas movimentam a bacatela de 2 bilhões por ano.

A média nacional que cada estudante paga por mês, é de 7.309,00 reais.

Por mais superficial que seja a análise, é fácil constatar, que o aumento das escolas privadas atendem ao interesse econômico e financeiro e não ao bem-estar da sociedade.

Em seis anos, esses estudantes de faculdades privadas, deixam 12 bilhões nessas instituições.

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, são os Estados que mais oferecem vagas nas faculdades privadas de medicina.

Juntos, esses estados respondem por 17.964 vagas nesses cursos; já os estados em que a presença de faculdades privadas é menos significativa ou inexistente, são: Amapá, Roraima, Acre, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Nos dois primeiros só há faculdades públicas.

Proporcionalmente, o número de vagas privadas é menor em Rondônia (92,4%), Espírito Santo (89,7%), Sã Paulo (89%), Goiás (84,6%), Santa Catarina (84%) e Paraná (72,9%).

Há uma proporção de vagas menor no: Maranhão (37,7%), Mato Grosso do Sul (38,8%), Mato Grosso e Acre (50%).

No Amapá e em Roraima são oferecidas apenas vagas públicas.

As Entidades Médicas Nacionais, defendem que a moratória assinada em 2018, que suspendeu a abertura de novas escolas até 2023, seja mantida por mais tempo.

Após a moratória, foram suspensos os editais para abertura de novas faculdades, mas aquelas que foram licitadas, durante o mandato da Presidente Dilma, foram autorizadas a funcionar.

Os Prefeitos das cidades que instalam as faculdades, não cumprem os compromissos assumidos com a população.

No Brasil, atualmente, temos 401 Escolas Médicas:

*121 (34,3%), PÚBLICAS;

*232 (65,7%), PRIVADAS;

-248 Novas Escolas abertas, entre 2001 e 2020, número que representa 2,4 vezes a mais do que o total de escolas abertas entre 1808 e 2010 (104);

-179 Escolas são particulares, esse número representa 3,3 vezes escolas particulares a mais do que as inauguradas em quase dois séculos (52);

-205 Escolas Médicas se concentram em: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

-65% dos cursos privados, estão em apenas seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Caterina, Bahia e Rio Grande do Sul.

Durante uma reunião em dezembro de 2020, no Ministério da Educação, as Entidades Médicas, propuseram uma discussão sobre a acreditação das escolas médicas, que até o momento já certificou 32 cursos, a partir de critérios específicos.

Foi ressaltado as complicações decorrentes do aumento do número de cursos num curto período, de 2011 a 2020, as escolas passaram de 162 a 353.

Dr. Juarez Carvalho: CREMEC-1053

 

 

 

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