Apesar do elevado número de médicos em atividade no Brasil, ultrapassando 600 mil, falta de políticas públicas prejudica distribuição e interiorização desses profissionais.
O Brasil tem um número absoluto significativo de médicos, porém, a política de interiorização das escolas de medicina, não atrai a fixar os profissionais no interior do País.
Mesmo os médicos que se formam em escolas de áreas distantes, migram para os grandes centros em busca de oportunidades, de melhor trabalho.
Com isso, persiste a distribuição desigual entre as regiões do país e entre as áreas metropolitanas e o interior dos Estados.
As áreas mais afetadas, são as menos favorecidas, as mais distantes e as de difícil provimento, com altos índices de violência.
Houve um aumento expressivo no número de médicos, mas se manteve a tendência de concentração nas capitais e nas grandes cidades, a maioria na rede privada.
Esse aumento não beneficiou, nem a população no interior, nem o sistema de saúde.
Temos mais de 600 mil médicos, mas há falta deles na atenção primária, nos municípios sem assistência, nos serviços do SUS e nas periferias.
Enquanto a média nacional é de 2,4 médicos por mil habitantes, há lugares como Vitória, no Espírito Santo, onde a proporção é de 13,71, enquanto em municípios com até 5 mil habitantes, há 0,37 médico por mil habitantes.
Esse problema não afeta apenas a presença do médico, não há também profissionais de outras áreas, de outras categorias, inclusive na saúde.
Localidades com esse perfil – população pequena, sem atividade econômica definida ou com baixo indicadores de desenvolvimento humano (IDH)-, não atraem e fixam profissionais.
Nelas o mercado não se autorregula.
Assim cabe ao Estado, por meio de políticas públicas sérias, levar e manter médicos e outros profissionais nestas áreas.
Para isso devem ser oferecidas condições de trabalho e remuneração adequadas.
Pela primeira vez na série histórica, nenhum estado apresenta razão menor do que um médico por mil habitantes.
Em todo o país, apenas quatro estados, apresentam proporção de médicos por mil habitantes, inferior à metade da média nacional, ou seja, 1,2.
Por outro lado, outros sete relatam um desempenho acima de 2,4 médicos por mil.
Os destaques são Distrito Federal, com 5,11, seguido por Rio de Janeiro, 3,7 e S. Paulo, 3,2.
A distribuição de médicos nos municípios do Brasil por mil habitantes, é a que se segue:
Pop. Mun. Nº de município…Nº de médicos…Razão
Até 5 mil…………1.253……………..1.557……………0,37
5 a 10 mil………..1.199……………..3.269……………0,38
10 a 20 mil………1345………………9.051……………0,47
20 a 50 mil………1.100…………….26.533…………..0,79
50 a 100 mil……..349………………32.508…………..1,36
100 a 500 mil……276……………..123.038………….2,27
+ de 500 mil………48………………325.490………….4,89
O fato é que 2,7% atendem 15%, assim nas capitais os médicos tendem a se fixar nas cidades com mais habitantes.
O médico é um profissional como outro qualquer, não é um sacerdote, temos médico onde o mercado regula.
Nos locais de difícil acesso, cabe ao Governo Federal, Estadual e Municipal, ter políticas públicas para prover médicos e estrutura de trabalho.
Se não for assim, dificilmente um médico vai querer trabalhar num lugar onde não tem emprego, remuneração adequada e perspectiva de crescimento na carreira e educação para os filhos.
Somados os 3.797 municípios com até 20 mil habitantes, representam 68,2% dos municípios do país, abrigam 15,2% da população, que é assistida por apenas 2,7% dos médicos em atividade.
A perspectiva é que a população de médicos por grupo de mil habitantes, continue crescendo, já que os médicos trabalham, em média, 40 anos e anualmente cresce o número de formandos, principalmente oriundos de escolas particulares.
Dr. Juarez Carvalho | CREMEC-1053
Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, em 16.12.1968
Ex-Presidente da SOCEGO, SIMECE e CMC (AMC)
Ex-Conselheiro do CREMEC, gestão 1980 a 1985