Médicos do SOPAI deflagram nova paralisação caso pagamentos não sejam realizados em até 72 horas
Profissionais também apontam insuficiência da equipe, sobrecarga no setor de urgência e fragilidade da segurança no ambiente de trabalho

Durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE), realizada no último domingo (20), os médicos que atuam no Hospital Infantil SOPAI deflagraram nova paralisação parcial dos atendimentos. Além do atraso salarial referente ao mês de julho, a insuficiência do quadro médico, a sobrecarga no setor de urgência/pronto-atendimento e a fragilidade da segurança no ambiente de trabalho motivaram a possível interrupção dos serviços.

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Nesta segunda-feira (21), o comunicado de paralisação foi enviado pelo Sindicato dos Médicos do Ceará à direção do SOPAI, com o prazo de 72 horas para que sejam adotadas as providências a seguir:

  • A quitação integral de todos os valores remuneratórios pendentes devidos aos profissionais médicos relativos ao mês de julho;
  • Recomposição do quadro médico destinado ao atendimento do SUS no setor de urgência/pronto-atendimento, com a inclusão de mais um profissional médico por turno, de forma a reduzir a sobrecarga atualmente suportada pela equipe;
  • Garantia de equipe de segurança de forma permanente no Pronto Atendimento e na triagem, evitando-se o remanejamento que deixe esses setores desprotegidos durante o funcionamento do serviço.

Caso não sejam atendidas as reivindicações dentro do prazo de 72 horas após o envio do ofício, será iniciado movimento paredista da categoria médica.

Do pagamento previsto para o dia 20 de setembro, foi repassado apenas aproximadamente 20% do valor devido aos profissionais, havendo apenas informação de que o restante seria quitado até o dia 30 de setembro.

Problemas recorrentes

Ainda na Assembleia, os médicos apontaram recentes alterações na organização administrativa e assistencial do Hospital, especialmente a mudança na coordenação da emergência e a descontinuidade da atuação do médico internista, situação que tem gerado preocupação entre os profissionais quanto à adequada cobertura das intercorrências e à organização das escalas do Serviço de Pronto-Atendimento.

Também foi apontada sobrecarga no setor de urgência/pronto-atendimento devido à insuficiência do quantitativo de médicos escalados. Segundo os profissionais, há períodos em que apenas um médico permanece responsável por toda a demanda do setor durante o turno de 12 horas, incluindo atendimento aos pacientes, acompanhamento de internações, intercorrências e regulações.

Os médicos demonstraram, ainda, preocupação com a questão da segurança no Pronto-Atendimento e na triagem, tendo sido relatado que os agentes de segurança destinados ao setor são, por vezes, remanejados para outras áreas do hospital, deixando médicos e demais trabalhadores expostos em ambiente marcado por situações recorrentes de conflito com pacientes e acompanhantes.

“Desta vez, não se trata de uma reivindicação exclusivamente remuneratória. A preocupação manifestada pela categoria envolve também a necessidade de assegurar condições mínimas e adequadas para o exercício profissional, especialmente diante da sobrecarga da equipe médica, das mudanças na organização do serviço e da necessidade de proteção dos profissionais que atuam na linha de frente do Pronto-Atendimento”, destaca Dr. Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos.

O Sindicato dos Médicos do Ceará reafirma seu compromisso com a categoria e permanece à disposição para a construção de uma solução que permita evitar a deflagração do movimento.

Fonte: Comunicação do Sindicato dos Médicos do Ceará

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