Sindicato dos Médicos solicita esclarecimentos acerca de denúncias envolvendo as condições de trabalho no Hospital Municipal Dr. João Elísio de Holanda, em Maracanaú
Em visita de fiscalização, foi constatado comprometimento da estrutura física, insegurança dos profissionais, irregularidades trabalhistas e financeiras

O Sindicato dos Médicos oficiou, nesta segunda-feira (02), a diretoria do Hospital Municipal João Elísio de Holanda, de Maracanaú, solicitando esclarecimentos acerca de denúncias gravíssimas sobre o comprometimento da estrutura física, insegurança dos profissionais, irregularidades trabalhistas e financeiras, desorganização assistencial e potenciais violações éticas, com risco iminente à segurança do paciente.

A entidade realizou visita de fiscalização na unidade de saúde e constatou que o repouso médico apresenta infiltrações recorrentes, agravadas no período chuvoso, em razão de problemas no telhado, sem solução efetiva até o momento, além de relatos reiterados de furtos, sem disponibilização de local seguro para guarda de pertences, cenário que afronta a dignidade do trabalho e expõe os profissionais a risco.

Há relatos e indícios de atrasos salariais envolvendo médicos generalistas, cirurgiões e anestesistas, sem justificativa oficial ou cronograma confiável de regularização, apesar da continuidade dos serviços, inclusive em mutirões de cirurgias com financiamento federal. Em relação aos generalistas, a situação se agrava pelo relato de vínculo precário via PJ, com atraso superior e ausência de esclarecimentos pela entidade responsável.

Também foram apontadas escalas descobertas, sobrecarga e exaustão de profissionais remanescentes, bem como a falta de itens básicos de apoio ao plantão, como pijamas adequados, incompatível com padrões mínimos de dignidade e biossegurança.

Foi constatado ainda que a realização cotidiana de cirurgias eletivas, em detrimento da adequada priorização de urgências, tem repercutido na ocupação de leitos e, de forma especialmente grave, na internação de adultos em leitos pediátricos, com mistura inadequada de perfis e risco assistencial.

Soma-se a isso a precariedade no abastecimento de medicamentos, com falta de antibióticos na emergência, além da inexistência de estrutura organizada de resposta a intercorrências, uma vez que foi relatada a ausência de equipe de Terapia de Reanimação Rápida (TRR), ocasionando deslocamentos constantes do médico da sala vermelha mesmo durante atendimento de pacientes críticos.

Profissionais relataram também perseguições, punições e ameaças de desligamento atribuídas à Direção Geral e à Direção Clínica, inclusive com imposição para execução de atos cirúrgicos sem condições adequadas de assistência, desconsiderando recomendações técnicas mínimas de segurança.

“Tais condutas, se confirmadas, expõem médicos e pacientes a riscos indevidos e podem configurar violação às normas do Código de Ética Médica, especialmente por coação ao exercício profissional em ambiente inseguro”, afirma Dr. Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos.

Diante do exposto, a entidade requer os devidos esclarecimentos acerca da situação na unidade e que sejam tomadas providências para a sua regularização, a fim de garantir o cumprimento dos direitos dos profissionais e a manutenção da qualidade dos serviços prestados à população.

O Sindicato dos Médicos reforça seu compromisso com a categoria e ressalta que a persistência das irregularidades ensejará a adoção das medidas cabíveis, incluindo a representação aos órgãos competentes, como Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (CREMEC), Ministério Público e demais instâncias de controle, para apuração de responsabilidades e adoção de providências.

Foto: Prefeitura de Maracanaú/Reprodução

Fonte: Comunicação do Sindicato dos Médicos do Ceará

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