O Sindicato dos Médicos oficiou, na última terça-feira (10), a direção da Sociedade de Assistência e Proteção à Infância de Fortaleza (SOPAI) solicitando esclarecimentos acerca de denúncias sobre redução remuneratória, atrasos de pagamento, condições sanitárias degradantes, segurança assistencial e imposições nos fluxos de atendimento.
Segundo os relatos recebidos, no período aproximado de um ano, houve redução expressiva da remuneração dos pediatras diaristas das enfermarias, com diminuição de mais de 50% do valor anteriormente praticado. Os médicos do pronto atendimento também sofreram redução salarial e corte de produtividade, e profissionais que manifestaram discordância foram demitidos, com posterior substituição por recém-formados em condições possivelmente mais vulneráveis, o que suscita preocupação quanto à segurança assistencial e à regularidade das relações de trabalho.
Os profissionais relatam que os atrasos de pagamento teriam se tornado rotineiros, com ausência de respostas do setor financeiro, o que agrava a instabilidade do corpo clínico e impacta diretamente a continuidade do serviço.
Conforme denúncias, na unidade as condições sanitárias e ambientais são degradantes, com infestação por baratas, presença de sujeira nas enfermarias, ocorrência de escorpiões, além de insetos em áreas assistenciais e até mesmo em alimentos de acompanhantes. Soma-se a isso a ausência de ventilação adequada em enfermarias, com mães trazendo ventiladores de casa, circunstância incompatível com um ambiente hospitalar seguro, especialmente para pacientes pediátricos.
Os médicos relatam também a imposição de um procedimento denominado “triagem médica” na emergência, no qual parcela significativa dos pacientes seria orientada a retornar para casa ou procurar UPA sem avaliação ou atendimento médico completo, o que estaria gerando conflitos com familiares, agressões verbais, ameaças e risco concreto à integridade física e psicológica dos profissionais.
Também foram relatadas evasões de pacientes internados por conta das condições de higiene e ambiente, além da falta de medicações e restrições de acesso a fármacos situação que, se confirmada, compromete o tratamento e agrava o risco de desfechos adversos.
Há, inclusive, relato de evento grave envolvendo conduta clínica inadequada atribuída a profissional inexperiente, reforçando a necessidade de apuração interna e adoção de medidas efetivas de segurança do paciente e supervisão assistencial.
Os profissionais expõem ausência de diálogo com o corpo clínico e apontam questionamentos sobre aplicação de recursos e priorização de investimentos em áreas vinculadas a atividades acadêmicas privadas, com potencial descompasso em relação às necessidades urgentes das áreas assistenciais do SUS.
Diante da gravidade do teor da denúncia, a entidade solicita esclarecimentos e providências acerca da redução na remuneração e na produtividade; informação sobre a existência de atrasos, períodos atingidos, número de profissionais impactados e cronograma de regularização; esclarecimentos sobre demissões relatadas após reclamações e política de contratação; comprovação de medidas de controle de pragas, higienização, desinfecção, dedetização e rotinas de limpeza; plano de enfrentamento a agressões/ameaças na emergência, fluxos de segurança, apoio aos profissionais e registro de ocorrências; apresentação do protocolo oficial adotado nos fluxos de atendimento; abastecimento de medicamentos e insumos; gestão e comunicação com corpo clínico.
O Sindicato dos Médicos reforça seu compromisso com a categoria e ressalta que o pedido de providências visa resguardar os profissionais médicos e a segurança das crianças atendidas, bem como prevenir agravamento de riscos sanitários, assistenciais e de violência no ambiente de trabalho.
Fonte: Comunicação do Sindicato dos Médicos do Ceará