O Sindicato dos Médicos oficiou a Secretaria de Saúde de Maracanaú, na última terça-feira (10), solicitando esclarecimentos acerca da imposição de metas quantitativas e fluxos assistenciais com repercussões negativas sobre a organização do trabalho médico, a qualidade do atendimento e a segurança assistencial, com potencial comprometimento da resolutividade da Atenção Primária à Saúde.
Conforme denúncia, durante capacitação promovida pela SMS de Maracanaú, diversos médicos teriam manifestado insatisfação com a denominada “agenda amarrotada” e com a cobrança de metas. Teria sido informado que existiria meta mínima de 300 atendimentos por mês como condição para recebimento do salário integral, gerando apreensão contínua e pressão para manutenção de volume elevado de atendimentos, sob risco de desconto remuneratório.
A denúncia descreve, ainda, a adoção de agenda exclusiva para atendimentos agendados, com previsão de 12 pacientes no turno da manhã e oito no turno da tarde, além das intercorrências e demandas espontâneas, com tempo máximo de 20 minutos por atendimento, ou 30 minutos para consultas consideradas mais complexas, incluindo puericultura, saúde mental e pré-natal. Nesse cenário, haveria formulários e registros relevantes exigidos ao longo das consultas, porém sem tempo hábil para adequado preenchimento, ocasionando acúmulo de pacientes e atrasos progressivos durante o dia.
Em razão dessa dinâmica, muitos profissionais estariam ultrapassando o horário de almoço e/ou o encerramento do expediente, com extensão reiterada de jornada para dar conta do atendimento e das exigências administrativas correlatas.
Informações dão conta ainda que determinadas condutas clínicas estariam sendo limitadas por provável retenção de gastos, com a vedação quanto à realização de controle de glicemia na própria unidade, comprometendo a assistência e a resolutividade do cuidado.
Diante do exposto, a entidade solicita que a SMS de Maracanaú preste esclarecimentos formais acerca da existência de ato normativo que estabeleça metas ou quantitativos mínimos de atendimentos, os critérios de aferição da meta de 300 atendimentos por mês, o eventual impacto remuneratório, a organização de agendas e fluxos assistenciais, as medidas adotadas para evitar extensão reiterada de jornada e as diretrizes vigentes quanto à oferta de procedimentos, insumos e condutas assistenciais, especialmente sobre controle de glicemia na unidade.
O Sindicato dos Médicos reitera seu compromisso com a categoria e segue acompanhando a situação em Maracanaú a fim de resguardar condições adequadas de trabalho, a segurança do atendimento e a qualidade da assistência prestada aos usuários do SUS.
Foto: O Povo+/Reprodução
Fonte: Comunicação do Sindicato dos Médicos do Ceará